terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Lembranças
Saí por cima. Não, ainda não enterrei tudo, ainda não apaguei os desenhos que fizémos, as melodias que tocávas com a tua estimada viola azul, que juntamente com as nossas delicadas vozes soava ás quatro da manhã, o chá que escaldava nas nossas mãos geladas e os corpos aconchegados entre os teus lençóis. Não enterrei as maliciosas palavras que me susurravas ao ouvido, as imagens que a lua viu e guardou, momentos nossos, intensos, tórridos, quentes... Momentos que já não voltam mais, que rasguei com toda a minha força sem pudor, mas eu vou sem olhar para trás, vou fechar a minha gaveta e depois de trancada jamais conseguirás abri-la.
domingo, 2 de dezembro de 2012
Caminhando sozinha
Anoiteceu. Anoiteceu dentro de mim, está escuro, frio e não consigo falar. Vou caminhar por ai, pisar todas as pedras que encontrar e deixar-me derrotar por elas, vou chutar todas as amareladas folhas estendidas no chão molhado, naquele chão que pisámos os dois, de mãos dadas e almas separadas. As árvores vão sentir o meu perfume, o meu cheiro de solidão, um amargo e triste gosto nos meus lábios e a minha visão perfurada com a tua imagem. Uma perfeita imagem para mim, apenas tu e esse teu estupido jeito de pensar.
Caminho de cabeça baixa, porque não quero enfrentar o destino e apagar-te de mim, não quero arrancar as amarras que me prendem a ti. Quero sentir a dor, que doa até eu não poder mais para a tua face desfocar-se na minha mente, para não me lembrar mais de ti.
Olho para as minhas botas castanhas, sujas, encharcadas não da chuva que cai, mas sim das lágrimas que ainda não secaram por ti.
O caminho é longo, vou virar á direita para não te ver mais ,e ai sim sigo em frente.
Caminho de cabeça baixa, porque não quero enfrentar o destino e apagar-te de mim, não quero arrancar as amarras que me prendem a ti. Quero sentir a dor, que doa até eu não poder mais para a tua face desfocar-se na minha mente, para não me lembrar mais de ti.
Olho para as minhas botas castanhas, sujas, encharcadas não da chuva que cai, mas sim das lágrimas que ainda não secaram por ti.
O caminho é longo, vou virar á direita para não te ver mais ,e ai sim sigo em frente.
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